O trabalho da Antropologia Filosófica no contexto contemporâneo da filosofia é resgatar uma imagem ou conceito unitário do homem, devido à crise que se formou a partir de diferentes vertentes de pensamentos e concepções científicas que definiram uma imagem determinada do ser humano, a partir da perspectiva de cada um, gerando uma grande dificuldade de conciliação de conceito unitário do homem entre tais concepções.
A crise apresenta duas vertentes: a vertente histórica e a metodológica. Quanto à história, a evidência da crise se torna patente; nos transcursos do tempo, as diversas imagens do homem se entrelaçam de forma que fique, pelo menos, três maneiras de ver o homem: o homem clássico, o homem cristão e o homem moderno. Quanto à metodologia, a crise nasceu na fragmentação do objeto da Antropologia Filosófica, evidenciadas nas múltiplas ciências do homem.
Na tentativa de superação de tal crise, surgiram, principalmente, duas correntes: o naturalismo, que reduzia o homem na sua natureza material, e o culturalismo, que acentua a originalidade da cultura em face da natureza, separando no homem o “ser natural” e o “ser cultural” (p. 15). Desde esse ponto de vista, são três as tarefas principais da Antropologia Filosófica: procurar uma imagem unitária do homem, elaborar uma justificação crítica que sustente essa imagem e uma sistematização filosófica dessa ideia do homem.
Contudo, no transcurso de elaboração de essa ideia unitária do homem, há grande tendência do reducionismo, que Lima Vaz acentua são três, o da Natureza, O do Sujeito e o da Forma. Sendo assim, é indispensável coordenar essas três tendências, sem que se desequilibre em favor de um deles a ordem sistemática do discurso filosófico sobre o homem (160).
No nosso caso, porém, em que o objeto do discurso sistemático é o homem, que é também sujeito, deve ser levada em conta a compreensão espontânea e natural que o homem tem de si mesmo e segundo a qual ele forma uma imagem de si mesmo[...] (Lima Vaz, 2014, p. 160).
Dessa forma Lima Vaz, na sistematização do discurso filosófico, introduz os conceitos de categorias do ser humanas, primeiramente no que se refere às relações do ser humano (objetividade, intersubjetividade e transcendência), e depois, no que concerne à unidade mesma do ser humano (categoria da realização e da pessoa).
Tendo feito todo esse percurso, o pretende o autor chegar à seguinte síntese que reúne todas as categorias do ser humano: humanismo personalista.
Como unidade, o homem é pessoa. A pessoa aparece, assim, como ato total, que opera a síntese entre as categorias de estrutura e as categorias de relação por meio de seu desenvolvimento existencial, ou seja, de sua autorrealização. A ideia de um humanismo personalista é, portanto, a palavra final da Antropologia filosófica. (Lima Vaz, 2014, p. 174).
Referência
VAZ, Henrique Cláudio de Lima. Antropologia filosófica I. 12. ed., São Paulo: Loyola, 2014.
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